terça-feira, 19 de abril de 2011

Sou "anti- x"

(Miguel anti -x nada tem a ver com o gabinete onde vais trabalhar, vais perceber- ah!Parabéns)



Arquitectos,devem ter recebido um e-mail tipo convite para a participação no concurso "NO RULES GREAT SPOT" . Todos sabemos quem são os responsáveis, alguns deles são nossos amigos e participantes neste blog, e por essa razão decidi responder ao convite. Apesar de em parte gostar da iniciativa, a minha participação perante o concurso foi feita de outra forma. Achei que deveria partilha-la para saber qual a vossa opinião.

e-mail.enviado no dia 19 Abril 2011 
Caros amigos,

Peço desculpa pela demora com que respondo a esta vossa iniciativa "No Rules Great Spot". A minha "participação" não envolve um cartaz como vocês desejariam mas antes com um texto honesto que não pretende de forma alguma ser ofensivo ou desmotivador, mas funcionar como uma resposta sincera ao que entendi ser a vossa intenção. Faço-o porque conheço alguns de vocês e respeito as vossas iniciativas.
Objectivamente  reafirmo que não participarei com nenhuma "ideia" para este concurso. E uma das razões começa logo por aí, por essa "ideia" de concursos de ideias. Não sei se vocês invocam este conceito porque já participaram em tantos concursos do género que acreditam que esta é a forma mais simples e eficaz de se discutirem problemas e abordar situações (como a do género), ou então porque alguma ingenuidade vos faz crer nesta atitude "boring"(na minha opinião) é  uma forma de participação positiva para a aquilo que entendo como posição do arquitecto contemporâneo no seu contexto, ou seja não apoio esta "ideia" de profissional das ideias, ou mister eureka. Mesmo que seja uma forma simples de lançar o isco, temos de encontrar outras formas de discutir cidade. Digo isto não porque espero mais de vocês, mas porque subscrevo o que procuram nessa  "reabilitação urbana enquanto projecto partilhado e informado, participado e discutido" e repito "participado e discutido", e é dessa forma que não consigo entender onde é que isto das "ideias" se enquadra no sentido de responsabilidade que este vosso objectivo de discutir cidade parece querer encontrar. Porque o que pergunto é: e depois? fazem uma exposição num desses sítios onde a malta gosta de aparecer tipo Plano B ou Paços Manuel com uns convidados catitas (para dar seriedade) e faz-se uma projecção das propostas enquanto bebemos uns finos a 2.50 euros? Penso que colóquios ou workshops seriam plataformas mais interessantes de abordar o diálogo. Lembro-me do colóquio (Re)PORT no qual participei e sei que aguns de voces estivream envolvidos, e parece-me que uma inicativa do género todavia mais expansiva onde se pudessem abrir espaço para desenvolvimento de projectos (a sério) seria mais aliciante. Querem outra ideia? Discutam com os professores da nossa faculdade, especialmente com os do 2º ano, a razão pela qual adoram escolher aquele terreno da Praça de Lisboa para o projecto de uma residência de estudantes, onde é interrogado um exercício de arquitectura assumidamente descomprometido desta realidade paralela que é a da reabilitação urbana. E é em seguimento deste parâmetro que anuncio o segundo motivo na minha "não participação": apesar de perceber as vossas discordâncias perante o "sistema" de intervenção que órgãos como a S.R.U. têm vindo a praticar, parece-me que a vossa postura transparece mais uma revolta política do que uma preocupação arquitectónica pública. Uma revolta contra tudo e contra todos, inclusive contra o trabalho de colegas de profissão. É claro que a mim não me incomoda pois ainda não tenho o vosso grau de mestre de arquitectura, mas parece-me que existem conceitos de ética que devem ser respeitados. Pois houve um concurso (de "ideias"?) para a Praça Lisboa, e houve um vencedor, e neste momento há um projecto aprovado para o local. Não seria mais interessante abordar outra situação que envolvesse não apenas a reabilitação urbana mas a qualidade espacial pública e que de facto pudesse vir a servir de exemplo para uma atitude mais participativa? Apesar de cheia de boas intenções penso que a vossa postura  peca por uma leviandade "à português" que nada acrescenta ao equilíbrio que deveria existir nesse protesto de participação. Talvez eu esteja enganado mas para mim essa postura realça antes um sentido de querer fazer polémica, de mal dizer "porque não gosto", numa espécie de propaganda "anti- X", sendo X a variável infinita política ou arquitectónica responsável. Entendo que é disso que falam, de responsabilidade, e é por aí que abordo a vossa iniciativa, de responsável.
Gostaria no entanto de acabar, dando-vos os meus sinceros parabéns pela iniciativa e pela projecção comunicativa que têm vindo a ter com os media, e claro a melhor das sortes para este vosso projecto.

Cumprimentos para todos, e bom trabalho.

Hugo Mendonça

5 comentários:

  1. concordo e gosto.
    porque gosto de discutir cidade e ser construtiva. não bater o pé e dizer que está mal.

    p.s.- metade do texto esta a preto e só consegui ler fazendo aquela coisa de passar o rato por cima. aliás, só descobri que havia mais por acaso.

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  2. Loiro a presidente.
    Concordo no ponto em que devemos ser construtivos no discursos ao invés de apenas "corrosivos" e armar "escándalo". nao creio que o objectivo do grupo envolvido queira armar guerras, mas antes propor a discussão livre e aberta de ideias e propostas, de um ponto de vista democrático do espaço publico (que nao existe neste momento). acho tambem que nao é atacar directamente o projecto vencedor nem os colegas, mas sim metodologias de selecção de propostas assim como os concursos. agora concordo contigo em tudo no futuro da iniciativa. é para nos juntarmos uma terça a noite no passos manuel a ver umas propostas que "se existisse um concurso" seriam as vencedoras? isso nao nos leva a lado nenhum. (para aquele espaço em concreto), mas haja esperança que isso aconteça futuramente para outros espaços com esta iniciativa.

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  3. Francisco não é minha intenção ser presidente, porque depois vocês não me iam parar de chatear para mudar PDM e essas coisa. Não sei se concordo contigo. Acho que chamar atenção do tipo "eu estou aqui e até sei mandar umas bocas", é uma táctica comunicativa como outra qualquer. não afirmo que existe um propósito desonesto e superficial. aliás conhecendo quem está envolvido, sei que são conhecedores e pensadores do assunto. mas isso não impede que a intenção seja polémica, e isso acho que está vincado na proposta. a cidade do Porto ainda consegue ser grande o suficiente para ter outros casos de estudo não? não nos enganemos. mas sinceramente, foi a 1º e única vez que falei neste blog sobre reabilitação da baixa. O professor Álvaro Domingues costuma dizer que isto é assunto do passado. Eu digo que já cheira a merda!

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  4. é assunto do passado enquanto não se parar de mandar bitaites e culpas pelo que está mal, enquanto não se quiser andar p frente e aprender com os erros.
    ainda tem muito para dar, só é preciso mudar de atitude e estratégia.

    post directamente de um café da baixa reabilitada do presente

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